A Rede de Bibliotecas dos Institutos de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, criada no início do ano de 2009, é uma iniciativa pioneira para ampliar os esforços em direção ao acesso e disseminação do conhecimento científico e tecnológico nacional. A coordenação da Rede é do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), cuja missão é promover a competência e o desenvolvimento de recursos de informação em Ciência e Tecnologia para atender às demandas e os novos desafios científicos e tecnológicos colocados pela sociedade do conhecimento.
A primeira reunião da RBP aconteceu em 2009, na sede do MCTI, com objetivo de iniciar uma ação de aquisição unificada de periódicos científicos. Isso é, em termos de gestão, ao invés de cada uma das 15 unidades de pesquisa realizar sua compra individual dos periódicos necessários para as respectivas pesquisas em andamento com as editoras, apenas uma, a partir da demanda de todas, seria responsável por essa ação. A instituição responsável pela compra unificada foi o Ibict. Estiveram presentes as autoridades da época, em clara demonstração de apoio ao esforço que se iniciava.
A segunda reunião teve lugar na sede do Ibict no Rio de Janeiro, com número ainda mais expressivo de participantes, 35 pessoas entre autoridades e membros da Rede. A agenda era ambiciosa. Tratou-se do encaminhamento da aquisição planificada e do Sistema Revistas, do acesso ao portal de periódicos da Capes, do Serviço de Disseminação Seletiva de Informações (Sonar) e de Repositórios Institucionais, entre outros.
Para a aquisição unificada de periódicos, a discussão girou em torno das dificuldades encontradas pelo Ibict para a compra conjunta e as ações de correção a serem adotadas. Destaca-se a necessidade de sensibilização das editoras quanto ao envio atualizado de preços e a aplicação de critérios rigorosos para restringir a participação de empresas que possuam impedimentos junto a qualquer instituição pública, incluindo restrições relativas à qualificação técnica. Além disso, ampliando o compromisso com a racionalização dos recursos humanos, materiais e financeiros, o software Revist@s, desenvolvido pela CNEN, foi cedido ao IBICT para ser utilizado como instrumento na implementação da Política de Aquisição Planificada de Periódicos das Unidades de Pesquisa. (CNEN, 2010)
Neste mesmo contexto, foi avaliada a possibilidade da incorporação de novas bases de dados de interesse do MCTI ao serviço Sonar de disseminação seletiva de informações, oferecido pelo CNEN, incluindo o atendimento de pedidos de cópia em texto completo. Naquela época, o serviço tinha como objetivo colocar os seus usuários atualizados com as publicações de documentos técnico-científicos de acordo com o seu perfil de interesse e para isso, mensalmente os assinantes recebiam por e-mail as referências de documentos e, quando disponível, acesso direto ao texto completo.
As referências são extraídas do processamento das bases de dados Inspec, Inis e Energy, assinadas pelo CNEN e disponibilizadas para Rede. A proposta era incorporar, por meio de assinatura a ser realizada pelo MCTI, outras bases de dados, de interesse específico das demais unidades de pesquisa.
Sobre o acesso ao Portal de Periódicos do Ministério da Educação, cabe antes uma pequena nota de apresentação: é uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza a instituições de ensino e pesquisa no Brasil parte da produção científica internacional. Ele conta com um acervo de mais de 37 mil títulos com texto completo, 126 bases referenciais, 11 bases dedicadas exclusivamente a patentes, além de livros, enciclopédias e obras de referência, normas técnicas, estatísticas e conteúdo audiovisual. Foi criado tendo em vista o déficit de acesso das bibliotecas brasileiras à informação científica internacional, dentro da perspectiva de que seria demasiadamente caro atualizar esse acervo com a compra de periódicos impressos para cada uma das universidades do sistema superior de ensino federal. Foi desenvolvido ainda com o objetivo de reduzir os desnivelamentos regionais no acesso a essa informação no Brasil. Ele é considerado um modelo de consórcio de bibliotecas único no mundo, pois é inteiramente financiado pelo governo brasileiro. É também a iniciativa do gênero com a maior capilaridade no planeta, cobrindo todo o território nacional (PORTAL DA CAPES, 2015).
Para que a RBP acesse o Portal, faz-se necessário a intermediação do Ibict por meio de servidor para agir como intermediário nas consultas ao Portal. Tecnologicamente é necessário o uso de proxy, termo utilizado na computação para definir os intermediários entre o usuário e seu servidor. Desempenha a função de conexão do computador local à rede externa. Resumidamente, todas as requisições de consulta feita ao Portal de Periódicos partindo das bibliotecas das unidades de pesquisa passam pelo proxy do Ibict.
Sobre os repositórios institucionais, o Ibict fez palestra sobre o tema e destacou a importância das iniciativas de acesso aberto, em nível internacional e as vantagens da utilização das ferramentas de acesso livre disponíveis para criação de revistas eletrônicas e repositórios institucionais. A adoção de iniciativas como essas pelas unidades de pesquisa levará a maior visibilidade da produção científica das UPs do MCT. Nessa discussão, o Inpe apresentou sua experiência de implantação e operação de repositórios institucionais, ressaltando as facilidades de importação de dados e de geração de indicadores de produção científica.
Esse é o início da RBP. As reuniões seguintes e o dia-a-dia da Rede dão seguimento às discussões acima elencadas e vão se ajustando às novas demandas dos usuários. A tecnologia passa a ter papel preponderante a partir do ano 2013, quando inúmeras ações conduzidas pelo Ibict ganham robustez e se consolidam no país, como o Portal do Livro Aberto em Ciência, Tecnologia e Inovação.